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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

LIVRO 20


NEON AZUL

      Um homem que não dorme nunca. Um advogado com um cramulhão na garrafa. Um assassino que atravessa espelhos. Um escritor que não consegue prender sua personagem no papel. Esses são alguns dos frequentadores de Neon Azul, um bar diferente para cada cliente. Escolha o seu lugar, faça o seu pedido. Depois do primeiro drinque, você jamais será o mesmo.
      Neon Azul é uma boate onde habitam os seus mais sombrios desejos e tentações. É um lugar diferente, repleto de acontecimentos estranhos, mas que poderia estar na esquina da sua casa ou no caminho entre o trabalho e o metrô. Enquanto acompanha a história do bar e de funcionários e clientes peculiares, descubra que realizar seus desejos pode ter efeitos colaterais imprevisíveis.
      Homens de negócio, prostitutas, artistas e boêmios imersos em uma solidão que só quem passeia pela noite já experimentou, um sentimento comum aos que vivem cercados de gente, com um sorriso no rosto e um copo na mão.
      Nesse jogo de luzes e sombras que revelam a fantasia e encobrem a realidade, está nas mãos do leitor a decisão de acreditar ou não no que lê e decidir quem conta as verdades e as mentiras ao longo da história.
       Assim como o insone gerente do bar, o leitor terá muito o que lembrar quando deitar na cama e fechar os olhos por própria conta e risco.

Por quê ler? 
O romance fix up por definição lançado em 2010 utiliza como ponto central um local chamado Neon Azul, que dependendo do capítulo e da visão da personagem que o protagoniza, pode ser chamado de inferninho, boate, restaurante, etc. O texto é construído com uma inteligência e maturidade incomum para um jovem autor, eis que cada capítulo foca em um personagem que quase sempre é coadjuvante de um conto anterior ou posterior.
A arte do livro é um destaque à parte, com capa e ilustrações internas belíssimas, recheando uma obra instigante e de grande impacto. Qualquer descrição da trama prejudicará a leitura de quem se interessar por Neon Azul, que por ser claramente uma fantasia urbana (e, comemorem, tipicamente brasileira) consegue comungar elementos dos contos viscerais de Rubem Fonseca e do extraordinário mundo de Edgar Allan Poe.
a construção do ambiente é toda feita pelo escritor, que partiu de um dos inferninhos localizados nas ruas de ligação do centro financeiro do Rio de Janeiro para criar uma gama de personagens e histórias jamais vistos. O texto igualmente possui linguagem universal e mostra as relações obscuras entre personagens que precisam conviver com suas próprias solidões. Mais que isso, o livro é a confirmação da evolução de um autor que parece saber exatamente o que leitor de hoje deseja ler. Essa obra específica parece ter o condão de pedra fundamental de uma sociedade extraordinariamente comandada por Eric Novello, que merece ser trazido cada vez mais à superfície. Tanto que, ao final, lamentamos suas menos de duzentas páginas, pois quando a porta do Neon Azul se abre, a imaginação e a qualidade da escrita de Eric Novello parecem ser inesgotáveis.  (Jorge Cruz Junior, advogado, Rio de Janeiro-RJ).

Autor: Eric Novello.
Número de Páginas: 168.
Editora: Draco.

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