AS MENTIRAS QUE OS HOMENS CONTAM
Veríssimo fez do seu livro, sem querer, um tratado da mentira no cotidiano de todos nós. O leitor vai topar consigo mesmo em alguma mentira contada no livro, com toda certeza. Quem não teve de inventar uma tremenda dor para a sua mãe, para não ter de ir á aula, já que não fez o tema do dia? O que dizer para a esposa que flagra o marido numa loja de lingerie, sendo que ele nunca lhe deu uma peça sequer, há anos de casados? Segundo o autor as mentiras que os homens contam já começam na infância.
E a primeira vítima é invariavelmente a própria mãe. Depois vêm as namoradas, a esposa, a sogra, a amante, os amigos, o chefe. Torna-se uma incrível compulsividade masculina.
O autor quase faz crer que mitirinhas que os homens contam provam a teoria de que os fins justificam os meios. Livram a cara. E isto é tudo. Até parece que todas as mentiras são apenas pecadinhos não mais do que veniais. Pois, mente-se até por amor ou para preserva-lo. Tornam-se em histórias claramente mal contadas, em que historiador e ouvinte se convencem de que, embora algo não esteja muito certo, vamos e venhamos… dá para tolerar na boa.
Por quê ler?
É o meu escritor brasileiro preferido. Ler as crônicas de Veríssimo é rir de situações do cotidiano. É ver o lado irônico das coisas. Neste livro, especialmente, é impossível ficar indiferente diante de algumas situações retratadas, e tenho certeza, que dentre todas as evidenciadas com certeza você já tenha passado por alguma. Isto que me fascina no Veríssimo, esta veracidade das situações. Destaco as seguintes crônicas: “Grande Edgar” é incrível, afinal, quem nunca se deparou com a seguinte situação: você encontra uma pessoa na rua, ela olha pra você e diz: Não está se lembrando de mim? “A Aliança”, “Os Moralistas” e “Farsa”, mas existem muitas verdades e mentiras no livro, você saberá discerni-las muito bem. (Marco Antonio, professor, Guaíra-PR).
Número de páginas: 176.
Editora: Objetiva.







